Viajar para refletir…

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Viajar para refletir…

No trajeto de volta pra casa, depois de toda viagem, a gente sempre faz algumas reflexões. Acho bacana isso. É como se fizéssemos um balanço para nossas próprias vidas, um esforço para contabilizar o que ganhamos com a experiência que acabamos de viver. E, já que desta vez a viagem foi pelo Nordeste brasileiro, o aprendizado, claro, foi enorme, porque é algo tão próximo e ao mesmo tempo tão distante da nossa realidade que as comparações são inevitáveis.

E, enquanto o carro deslizava pela BR-402 – durante as 3 horas de viagem entre Barreirinhas e São Luís – ficamos a pensar sobre o jeito simples como vivem as pessoas daqui e a tentar adivinhar se elas são mais ou menos felizes do que nós, a tal “elite branca” que nossos governantes dizem que somos.

Esse é o grande barato de viajar, de sair da nossa zona de conforto e encarar novos costumes, novos sabores, algumas privações medíocres e de conhecer maravilhosos personagens que cruzam nosso caminho, seja à beira da estrada tocando o seu rebanho, seja como companheiros temporários em um passeio turístico ou nos servindo humildemente no hotel.

Acho incrível essa coisa de viver por alguns dias com menos, com muito menos do que pensamos que precisamos. Essas são experiências que não deixam dúvidas a respeito da nossa arrogância supostamente civilizada, que diz que precisamos ter 20 biquínis no armário e um par de chinelos pra combinar com cada um deles. Ou, então, uma coleção de potes de cremes “milagrosos” que vão nos devolver 20 anos em um segundo: um para as mãos, outro para os pés, um para a noite, outro para o dia, mais um para as pálpebras, para os lábios. Quanta ilusão! E a gente precisa dela pra continuar seguindo a “boiada”…

Aí, quando você tem a sorte de pegar um carro e entrar estrada a dentro, passando por lugares muito pobres como esse aí da foto, isso lhe leva a pensar sobre como vivem as pessoas que ali habitam, no que é essencial pra elas, com o quê exatamente perdem suas horas. É também a chance de sentir um pouco de inveja dessa vida simples e singela que não pede nada além de um abrigo, um pouco de água e um chão para plantar o próprio alimento. Não duvide, se você for do tipo que olha ao redor de si mesmo, com certeza tudo isso vai lhe causar, no mínimo, um certo constrangimento.

Claro que a gente gosta de conforto, de água quentinha no chuveiro e de lençóis macios na cama! Claro que gostamos de viajar para o outro lado do Atlântico, de beber um super Toscano e de ter o telefone do nosso médico na agenda do celular. Mas, é reconfortante constatar que toda moeda tem dois lados, que nossos iguais podem ser felizes assim mesmo, com níqueis de menos e tempo de sobra pra viver um dia de cada vez, sem pressa, sem índices de inflação para contabilizar e sem a amargura que invade os lares da cidade grande na hora dos telejornais…

Valeu, Maranhão!

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